terça-feira, 4 de novembro de 2025

🌌 Entre o Ser e a Vontade: A Jornada da Consciência no Eterno Agora

O Ser, ao se deparar consigo mesmo, agora se torna objeto de sua própria reflexão, unindo simultaneamente o papel de sujeito e objeto no momento presente. Imerso em um oceano de incertezas e probabilidades, ele se lança em uma viagem sem retorno rumo à construção de um novo Ser. Nessa jornada contínua, apenas uma certeza permanece inalterada: a consciência do presente. O Ser reconh
ece sua existência pelo simples fato de estar presente no aqui e agora, transformando-se constantemente como sujeito e objeto nesse fluxo perpétuo. O eterno agora é a manifestação da corrente existencial do Ser, tornando-se um ponto de projeção para sua própria consciência.

Se adotarmos a ótica schopenhaueriana e admitirmos o mundo como vontade e representação, percebemos que a realidade se apresenta ao sujeito por meio de figuras e formas filtradas por sua própria cognição. O mundo, nesse sentido, não é algo “em si”, mas uma projeção da vontade — a força essencial que anima toda existência. Essa vontade, contudo, é inalcançável ao conhecimento: ela é aquilo que é, não podendo ser reduzida a objeto ou conceito. É a essência eterna e infinita do universo, a energia primordial que pulsa em tudo que existe.

O tempo e o espaço, tão necessários à percepção humana, revelam-se ilusões estruturais da consciência. A vontade não se move no tempo, pois é atemporal; não ocupa espaço, pois é ilimitada. Assim, o Ser, enquanto manifestação da vontade, é simultaneamente finito e infinito, temporal e eterno, limitado e absoluto. Ele se torna, portanto, um espelho da própria totalidade, refletindo em sua consciência o drama cósmico do existir.

A autenticidade da existência nasce quando o Ser reconhece essa dualidade essencial — quando percebe que é parte do todo e, ao mesmo tempo, o todo se expressando em parte. Ser autêntico é viver em coerência com a própria essência, expressar a vontade de forma consciente e livre, transformando o ato de existir em uma obra de arte em movimento.

Mas essa autenticidade não é uma conquista estática. É um processo vivo, uma constante transmutação entre o ser e o vir-a-ser. O Ser autêntico não busca respostas definitivas, mas mergulha nas perguntas que o formam. Ele compreende que a verdade não é um ponto fixo, mas um horizonte móvel — uma direção existencial.

Ao compreender sua natureza, o Ser se dá conta de que a consciência é o espelho da eternidade. É através dela que o universo se reconhece e reflete sobre si mesmo. A consciência humana, enquanto ápice da representação, é o palco onde o invisível se torna visível, onde a vontade se transforma em forma, palavra, gesto e criação.

Explorar a verdadeira natureza do Ser é, portanto, um ato filosófico, espiritual e poético. É reconhecer que dentro de cada consciência pulsa o eco do infinito — e que cada pensamento, emoção ou respiração é uma expressão singular da totalidade cósmica. O Ser que desperta para essa percepção se liberta das ilusões do tempo e do medo, passando a viver em plenitude o eterno agora, onde tudo é, simultaneamente, começo e fim.

Ser é tornar-se. Tornar-se é existir. Existir é manifestar a eternidade no instante.

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