O Ser, ao se deparar consigo mesmo, agora se torna objeto de
sua própria reflexão, unindo simultaneamente o papel de sujeito e objeto no
momento presente. Imerso em um oceano de incertezas e probabilidades, ele se
lança em uma viagem sem retorno rumo à construção de um novo Ser. Nessa jornada
contínua, apenas uma certeza permanece inalterada: a consciência do presente. O
Ser reconh
ece sua existência pelo simples fato de estar presente no aqui e
agora, transformando-se constantemente como sujeito e objeto nesse fluxo
perpétuo. O eterno agora é a manifestação da corrente existencial do Ser,
tornando-se um ponto de projeção para sua própria consciência.
Se adotarmos a ótica schopenhaueriana e admitirmos o mundo
como vontade e representação, percebemos que a realidade se apresenta ao
sujeito por meio de figuras e formas filtradas por sua própria cognição. O
mundo, nesse sentido, não é algo “em si”, mas uma projeção da vontade — a força
essencial que anima toda existência. Essa vontade, contudo, é inalcançável ao
conhecimento: ela é aquilo que é, não podendo ser reduzida a objeto ou
conceito. É a essência eterna e infinita do universo, a energia primordial que
pulsa em tudo que existe.
O tempo e o espaço, tão necessários à percepção humana,
revelam-se ilusões estruturais da consciência. A vontade não se move no tempo,
pois é atemporal; não ocupa espaço, pois é ilimitada. Assim, o Ser, enquanto
manifestação da vontade, é simultaneamente finito e infinito, temporal e
eterno, limitado e absoluto. Ele se torna, portanto, um espelho da própria
totalidade, refletindo em sua consciência o drama cósmico do existir.
A autenticidade da existência nasce quando o Ser reconhece
essa dualidade essencial — quando percebe que é parte do todo e, ao mesmo
tempo, o todo se expressando em parte. Ser autêntico é viver em coerência com a
própria essência, expressar a vontade de forma consciente e livre,
transformando o ato de existir em uma obra de arte em movimento.
Mas essa autenticidade não é uma conquista estática. É um processo
vivo, uma constante transmutação entre o ser e o vir-a-ser. O Ser autêntico
não busca respostas definitivas, mas mergulha nas perguntas que o formam. Ele
compreende que a verdade não é um ponto fixo, mas um horizonte móvel — uma
direção existencial.
Ao compreender sua natureza, o Ser se dá conta de que a
consciência é o espelho da eternidade. É através dela que o universo se
reconhece e reflete sobre si mesmo. A consciência humana, enquanto ápice da
representação, é o palco onde o invisível se torna visível, onde a vontade se
transforma em forma, palavra, gesto e criação.
Explorar a verdadeira natureza do Ser é, portanto, um ato
filosófico, espiritual e poético. É reconhecer que dentro de cada consciência
pulsa o eco do infinito — e que cada pensamento, emoção ou respiração é uma
expressão singular da totalidade cósmica. O Ser que desperta para essa
percepção se liberta das ilusões do tempo e do medo, passando a viver em
plenitude o eterno agora, onde tudo é, simultaneamente, começo e fim.
✨ Ser é tornar-se. Tornar-se é
existir. Existir é manifestar a eternidade no instante.
Nenhum comentário:
Postar um comentário